MOVIMENTO VOZES DAS PERIFERIAS HOMENAGEIA MAIS UM JOVEM ASSASSINADO PELA POLÍCIA MILITAR EM BAURU
Formado por familiares de vítimas da Polícia Militar, grupo realiza atos contra a violência policial; o último ato do dia 19/01 foi em memória de Thayllãn Barbosa

por Gabriel Rezende
Na tarde do último domingo (19), o movimento Vozes das Periferias de Bauru realizou um ato em homenagem ao jovem Thayllãn Henrique Barbosa da Silva, de 18 anos, morto em 15 de maio do ano passado por policiais militares no Parque Real.
Formado por mães, pais e familiares de jovens assassinados pela Polícia Militar, o grupo passou a organizar atos em bairros da periferia da cidade para protestar contra a violência policial. O ponto de início do movimento foi em outubro passado, após o caso de truculência policial ocorrido no velório do jovem Guilherme Alves Marques de Oliveira, de 18 anos, que ganhou repercussão nacional.
Policiais militares invadiram o velório, realizado no dia 18, agrediram familiares e amigos, inclusive a mãe Nilceia Rodrigues, e prenderam um dos irmãos do jovem por desacato.
No dia anterior, Guilherme e Luís Silvestre da Silva Neto, de 21 anos, foram mortos por agentes do 13º Batalhão de Ações Especiais de Polícia, o BAEP, no bairro Jardim Vitória. Os militares envolvidos na ação, o tenente Murilo de Oliveira Lamoso e os cabos Rafael Franco Manfio e Alexsandro Aparecido Ferreira, efetuaram 27 tiros de fuzil contra os jovens.
Nilceia Rodrigues denunciou à Corregedoria da Polícia Militar perseguição sofrida por policiais militares após ato em homenagem ao seu filho Imagem: Tauan Mateus
O ato deste domingo teve início às 15h, em frente ao em frente ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Santa Cândida, momento em que familiares do Thayllãn e de outros jovens assassinados pela Polícia Militar contestaram a versão, muitas vezes, alegada pela polícia e reverberada na imprensa, de que os jovens foram mortos após “confrontos” com os militares.
“Ele era um menino bom. Não tinha motivo para eles [policiais] fazerem o que fizeram com ele. Espancar até a morte e ainda dar quatro tiros no peito como se fosse bicho? Na verdade, ele foi julgado e condenado lá no mato. Ele não teve nem o direito de se defender. Tiraram a vida dele como se ele fosse bicho e o deixaram agonizando das nove da noite até às onze meia, horário que o tiraram do mato”, contou Regiane Alves, mãe de Thayllãn, em discurso em frente ao CRAS.
Thayllãn sonhava em ser mecânico de motocicleta. Imagem: Regiane Alves
Participaram também da manifestação representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, do Conselho Municipal dos Direitos Humanos, de partidos políticos, como o PSOL e o PCBR, e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP).
O grupo percorreu as ruas do Santa Cândida, convidou os moradores da região ao ato e se dirigiu até uma praça próxima da casa onde Thayllãn morava. Seguindo o mesmo gesto realizado pelas mães dos jovens homenageados nos atos anteriores do movimento, Regiane plantou um ipê branco, um “símbolo de esperança”, como ela mesma definiu.
Em todos os atos do Vozes das Periferias, mães plantam ipês brancos em homenagem a seus filhos. Imagem: Gabriel Rezende
“Que esse ipê seja um símbolo de esperança, porque ainda há esperança nesse mundo. Não é só matar. Eles [policiais] não são Deus para tirar a vida de uma criança. Porque o Thayllãn era uma criança. Ele só sabia rir. Vamos à luta, porque o luto virou luta. Vamos até o fim”, disse, emocionada, a mãe do Thayllãn.
Governo Tarcísio e o aumento da letalidade policial
A letalidade policial tem aumentado de forma significativa no Estado de São Paulo desde o ano de 2023, com o início do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 2024, mesmo com dados somente sobre os três primeiros trimestres do ano, a letalidade policial registrou alta no Estado: foram 474 pessoas mortas por policiais em serviço de janeiro a setembro. Enquanto que, em 2023, foram 353 pessoas mortas no ano todo.
Na região das cidades do entorno de Bauru, o cenário se repete. De janeiro a setembro de 2024, 17 pessoas foram mortas por policiais em serviço. Já no ano todo de 2023, 15 pessoas foram mortas na região por policiais.
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