CONTRADIÇÃO: LULA CRITICA "LENGA-LENGA" DO IBAMA E DEFENDE PESQUISA SOBRE PETRÓLEO NO AMAPÁ
Presidente reclama de demora e diz que órgão ambiental parece atuar contra o governo; Diante desse cenário, é inevitável questionar: até que ponto o compromisso do governo com a transição energética e a sustentabilidade é genuíno?

A recente disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ibama sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial expõe uma contradição na política ambiental do governo. Enquanto o Brasil se prepara para sediar a COP-30 e busca se consolidar como líder na transição energética, Lula pressiona para viabilizar a exploração de uma nova fronteira petrolífera em uma das regiões ecologicamente mais sensíveis do país.
O Ibama e especialistas ambientais alertam para os riscos ambientais significativos da perfuração na região, que abriga o Grande Sistema de Recifes do Amazonas e uma das maiores zonas contínuas de manguezais do mundo. Além disso, há desafios técnicos e dificuldades na resposta a emergências, como a distância entre o local da exploração e as bases de apoio mais próximas. O histórico de exploração na região já mostrou que a instabilidade geológica e as fortes correntezas representam obstáculos consideráveis.
Ainda assim, Lula classifica a postura do Ibama como "inadmissível" e minimiza as preocupações ambientais, alegando que a Petrobras é uma empresa responsável e que os recursos do petróleo poderiam financiar a proteção da floresta amazônica. O argumento, no entanto, entra em conflito com as evidências de que a exploração de combustíveis fósseis gera impactos ambientais irreversíveis e compromete os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou na quarta-feira (12) o que chamou de “lenga-lenga” na liberação da exploração de petróleo na Margem Equatorial do Amapá. Segundo ele, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem dificultado o avanço da Petrobras na realização de estudos na região.
“Talvez essa semana ainda vá ter uma reunião da Casa Civil com o Ibama, e nós precisamos autorizar a Petrobras a fazer pesquisa [na Margem Equatorial]. É isso que queremos. Se depois vamos explorar, é outra discussão. O que não dá é ficar nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo”, afirmou o presidente em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá.
A pressão do governo sobre o Ibama não só enfraquece o órgão regulador, mas também coloca em xeque a credibilidade de Marina Silva como ministra do Meio Ambiente. A insistência em aprovar a exploração da Margem Equatorial levanta dúvidas sobre a real prioridade do governo na agenda climática e na preservação da biodiversidade brasileira.
Diante desse cenário, é inevitável questionar: até que ponto o compromisso do governo com a transição energética e a sustentabilidade é genuíno? E qual será o custo ambiental dessa insistência em explorar mais petróleo, quando o mundo caminha na direção oposta?
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